
Há algum tempo atrás, eu podia observar de longe as estrelas cadentes, pensando que todo desejo que fizesse, se tornaria realidade,
Que todo lindo sonho que sonhei, poderia vim se tornar algo não fictício, e que tudo seria tão perfeito, que o sorriso estampado no rostos das pessoas e no meu próprio não seria fruto de minha imaginação.
Eu pude ver longe, o sol parando na descendente para fitar-me sorrindo, de tal modo a preservar aqueles momentos lindos de uma vida terna e sem problemas.
Nem ao menos questionava se tal vida, sempre continuaria em eterna alegria.
Sonhava que os pequenos e minuciosos gestos, marcariam a vida de outras pessoas, que as ligações eram pra sempre. Que quando uma corda estourasse seria para que seus fios formassem novos e mais fortes laços diante de todas as estações e situações.
Mas, quem diria, como simplesmente a terra continua seus movimentos, e de acordo com suas decisões e atitudes tudo pode dar uma pequena reviravolta. Percebi, que o mesmo céu que nos mostras as tão delicadas estrelas cadentes, pode sim vir a fechar de forma tão bruta que nem mesmo as estrelas que ficam ali extasiadas nos seus devidos lugares apenas observando os movimentos, podem ficar ocultas.
Que todo sonho lindo que sonhei, viera a ser apenas fruto de minha mente, que sorriso estampado diariamente, pode ser considerado uma fina máscara que contrapõe a realidade angustiada até mesmo de um palhaço.
O sol não pára. Continua acenando até que se esconde atrás de grandes montanhas, para calar um dia.
A eterna alegria, é coisa altamente assustadora, que apenas serve para diferenciar insanos de pessoas normais, quem é eterno feliz, esconde por menor que seja alguma terrível verdade atrás dos olhos.
Naquela imensidão escura, pude perceber os gestos mais obscuros e sombrios das pessoas. Porém, foi essa mesma escuridão, que me trouxe os olhos mais lindos e brilhantes até hoje vistos por mim. Olhos que refletiam desejo, medo, ingenuidade e maturidade suficiente para destravar muitos ou todos os sentimentos de um homem. Aqueles na qual fecho os meus para confiar-lhe os mais perigosos, estranhos e inseguros segredos.
Olhos que uma vez que observei, me deu a sensação de imensidão. De perda e de apego. É como se nunca fosse suficiente olhar para tão perfeitas jóias uma vez na vida, é desejar ser a ultima coisa a se ver quando em relento deitar, e quando os meus abrir.
Aquele brilho que mais parecia ser o reflexo no espelho de estrelas, perdidos naquele pequeno mar negro, um negro tão frio, tão intenso que ao mesmo tempo que acalmava me importunava. O importuno mais ridículo para um ser de natureza humana, importuno esse que me fazia desviar dela, e quanto mais medo eu tivera, mais abismado e curioso ficava para desvendar aquela criatura.
Tanta falta de coragem mostrava-me a minha deficiência em deixar passado no passado, e encarar o futuro de frente, arriscar-me. Mas apenas pensava comigo em como não deixar aquele entusiasmo passar a frente da razão, deixar aquele sentimento aflorar de um modo árduo que não pudesse mais me controlar, deixar fluir algo tão forte e tão bom de se sentir que pudesse comprometer os nossos sonhos. Sonhos de uma linda amizade, que por desventura do destino viesse a transformar em amor por parte de uma só pessoa. Aquele medo de arriscar, aquele medo de entrar na imensidão dos lindos olhos que de um jeito ou de outro me intimidava tanto, que me fazia sentir como se não tivesse um lugar seguro, que o único lugar seguro poderia ser encarando-a e descobrindo que a segurança se extraviaria a ser não um sonho, mas sim um pesadelo e perde-la não só naquele momento, mas em todos que poderia sentir a sua presença.
O jeito meigo de olhar, alinhado ao pequeno rosto de porcelana, levemente desenhado como se fosse uma das obras primas de Deus, encoberto pelos fios de cabelos de modo a se esconder do mundo, de modo a não maltratar mais pessoas como eu era maltratado silenciosamente.
Escondia os seus sonhos, desejos, e aventuras que não pude eu desvendar. O jeito auto-seguro de encarar os fatos, de demonstrar segurança e carência sempre me deixava confuso. Confuso de um modo estranho, queria ao menos saber a natureza exata dela, não me parecia humana. Lembrava muito uma pequena fada, um pequeno anjo talvez. E quando chegava era como se algo monstruoso acontecesse dentro de mim. Um frio no estômago tempestuoso, as palpitações e o jeito imaturo de esconder-me, de modo a fazer com que ela viesse até a mim. E quando finalmente chegava, era como se eu saísse do solo, calafrios, despersonalização, tremor mórbido.
Só que de alguma forma, o toque de suas mãos me acalmava, os suaves gestos de companheirismo dava-me conforto, e eu voltava. Não distinguia sonhos de realidade, nem pesadelo de sonhos. Apenas sei que do mesmo modo que me dava forças, retirava-as me tornando o mais covarde ser do mundo. Minhas palavras sábias, meu jeito carismático de nada serviam já que não conseguiam expelir-se de alguma forma. Eu ainda não tinha percebido, mas de todas as sensações que pode ela despertar em mim, a que mais prevaleceu foi a do egoísmo, do anonimato, e que me fazia crescer como pessoa. Que apenas me fazia crescer como homem. E eu esperava ali, todos os dias sentado esperando que ela retornasse com suas palavras doces e com seus minuciosos gestos e toques que me assombravam.
Eu apenas sabia que aquele jeito que eu ficava, era um dos mais nobres que eu poderia ficar.
Confuso, alucinado, despersonalizado, extasiado, melancólico, pensador e por vezes petrificado reforçava a tese: Eu realmente era apaixonado por ela e nem ao menos sabia disso.
Ficava horas esperando o retorno, mas como em filmes melodramáticos nem sempre ela chegava, e eu apenas esperava o sol "morrer" para que pudesse retornar. Fiquei ali dias após dias, contando minutos e segundos, esperando o mínimo contato visual que poderia ter, mas infelizmente ela nunca chegou. Cheguei a acreditar que estava vivendo um mundo paralelo, que nada daquilo fazia sentido, que estava inteiramente cego e ficando louco. Descobri por conta própria que essa é a vida, e hoje sei que de uma forma ou de outra ela sempre esteve comigo, nos momentos mais críticos e felizes de minha vida. Pena minha que ela nunca soube disso.
"PS: Te amo, de um jeito ou de outro, seja você meu porto seguro, minha confiança, minha amiga, meu tudo. 'Always and forever'. Obrigado por existir e muito obrigado por sempre deixar que eu conte com você"